quarta-feira, 30 de março de 2011

Maria somos nós

Maria ganhou o BBB. E nós vencemos. Nós, mulheres donas das nossas vontades, dos nossos desejos, tentativas e erros. Nós que nos apaixonamos pelo lobo mau mau divertido, falante e machista. E o machismo não tem mais espaço no conto moderno nosso de cada dia. Graças a nós mesmas, que o abolimos e nos libertamos.

Maria Melilo foi Madalena, jogou-se nas fogueiras das paixões, assumiu seu cio. E atire a primeira pedra quem nunca pecou. Ou quis pecar. Todas pecamos mas, olha que coisa, não cremos mais em pecado. Quem dita o que é certo e errado quando se trata de sexo? Da nossa sexualidade? Nosso corpo nos pertence e, tatue na pele: só a nós cabe decidir o que fazer com ele.

Somos humanas, frágeis, tolas, fracas. E somos fênix, renascemos das cinzas, ágeis, fortes. Erramos e aprendemos com os deslizes. Rimos. Buscamos ajuda - nem que seja autoajuda. Lemos, trocamos ideias, confidências, ouvimos umas às outras. Experimentamos. Às vezes dá certo. Outras não dá. Damos.

E vem príncipe encantado e vão-se desencantos e não acreditamos nele, mas esperamos um dia, quem sabe... Somos clareza e contradição. Hormônios e coração. Ebulição. Somos ar, água e gelo. Derretemos. Não tentem nos desvendar pois não temos segredos. Nossos mistérios são mutantes, o que era não é, e o que é, já foi. E será diferente. Mais que mulheres, somos deusas. Rainhas. E serviçais, por que não? Somos o que escolhemos ser. Messalinas, virgens, molecas, meninas, mães e, acima dos nossos quereres, fêmeas. Dentro de nós corre a essência feminina, o dom da criação, do recriar-se. Geramos vida. Vivíssimas.

Aceitamos o que somos e não aceitamos mais o que acham que deveríamos ser. Somos mais que Amélias, mulheres de verdades. Somos bem remuneradas e donas do nosso nariz. Solteiras, casadas, separadas, nosso estado civil é nosso estado de espírito. Fiéis aos nossos instintos, damos rédeas à imaginação, rédeas soltas, claro. Ou, por opção, bem justas.

Aliás, temos um grande senso de justiça. Mas no nosso tribunal não cabem julgamentos. O veredicto é a felicidade. Queremos e buscamos ser felizes. Senão, viver pra quê? Sim, somos dramáticas. Rios de lágrimas lavam nossa pele e matam a sede. Bebemos. Falamos bobagens. Assumimos culpas alheias só para ficarmos em paz. Nos arrependemos e, sem pensar, fazemos tudo de novo. Aprender com os erros exige errar - essa é a melhor parte!

Mas sim, somos perfeitinhas. Autoestima é tudo, dizem. Acreditamos. Beijamos sapos, retocamos o batom. Fazemos mandinga, lemos horóscopos. Somos estrelas. Brilhamos. E rezamos, pedimos, agradecemos, enlouquecemos, deixamos doida a concorrência. Eles doidos. Que loucura!

Como Maria, com o apoio de milhões de votos, nós mulheres-fêmeas do século 21 somos a extinção da espécie e a renovação. Matamos o que fomos e nos tornamos a essência do que vamos ser. Enquanto isso, vamos vivendo nosso reality show diário. Vamos Mariando, simplesmente sendo. Campeãs.


por Ana Kessler

domingo, 27 de março de 2011

Sigo a vida conforme o roteiro, sou quase normal por fora, pra ninguém desconfiar. Mas por dentro eu deliro e questiono. Não quero uma vida pequena, um amor pequeno, um alegria que caiba dentro da bolsa. Eu quero mais que isso. Quero o que não vejo. Quero o que não entendo. Quero muito e quero sem fim. Não cresci pra viver mais ou menos, nasci com dois pares de asas, vou aonde eu me levar. Por isso, não me venha com superfícies, nada raso me satisfaz. Eu quero é o mergulho. Entrar de roupa e tudo no infinito que é a vida. E rezar – se ainda acreditar – pra sair ainda bem melhor do outro lado de lá.

Fernanda Mello

quarta-feira, 16 de março de 2011

E esse papo de melhor amiga?



É difícil de eu assumir, mas eu não sei quem é a minha melhor amiga. Talvez por, simplesmente, todo dia uma amiga ser a minha melhor amiga. Ta, parece papo de adolescente, mas, apesar dos meus 25 anos, continuo tendo os mesmos sentimentos acerca de amizade que eu tinha há dez anos atrás. Então, se não há esse sentimento em você, não me leia, não. Você não vai entender nadinha do que eu vou escrever.

Não é que eu não tenha uma melhor amiga. Ter eu tenho. Mas não tenho a mesma melhor amiga todos os dias. Não que uma única pessoa seja várias, em dias diferentes, mas é que eu – com a graça de Deus – tenho várias, todos os dias.

Porra! Eu tenho amigas maravilhosas. Todas, claro, têm seus defeitos e confesso que às vezes eu não consigo nem chegar perto, de tão insuportáveis que são. É, eu falo mesmo. Mas, por um outro lado, minhas amigas têm virtudes tão deliciosas que consigo dizer que sou apaixonada por cada uma, de um jeito diferente. Sim, apaixonada, parece homem e mulher, SEM APETITE SEXUAL – que fique muito bem claro.

O que é estar apaixonada? É pensar, lembrar com cada coisinha, é rir do nada quando lembrar. É dizer que ama, que tem saudade. É ouvir uma música e lembrar. É ter vontade de ta perto. É fazer loucuras. É ter crises e mais crises de ciúme ridículo. É rir de qualquer coisa. É, também, sentir-se vazio quando ta longe. É brigar por ter esquecido de mim. É reclamar e se sentir idiota, depois da briga. É jantar a dois (ou a três, a quatro...). É se amar como se não houvesse amanhã e se proteger como irmãos. É tudo isso, né? É o que eu sinto por quem eu chamo de AMIGA. Mas ô droga, não é qualquer unzinho que eu conheço por aí ou que troquei meia dúzia de palavras e me simpatizei. AMIZADE DE VERDADE tem gosto de amor, de paixão, e por isso considerar alguém AMIGA, é um processo demorado, caloroso e satisfatório.

Satisfatório?

E porquê razão não seria essa a palavra? Satisfação, já diriam os conceitos, é “Contentamento; prazer que resulta da realização do que se espera, do que se deseja”. Pois é. E o que eu espero de uma amiga? Espero tanta coisa. E foda-se esse papo de “medo de se decepcionar”. Espero carinho, atenção, companheirismo. Feito irmãs, amigas se cuidam. É só isso o que eu espero. Se me decepcionar, COMO JÁ ME DECEPCIONEI, é porque não merecia a minha paixão. É porque merecia meu esquecimento. A gente tenta, né? Só que chega uma hora que a gente encontra o Sr. Limite e ele nos da um olhar 43 e a gente entende que tem gente que não merece a gente.

Enfim. Não sei quem é minha melhor amiga. Prefiro crer que as minhas são as melhores e ponto. Já tentei dividi-las em “A melhor de Uberlândia”, “A melhor de Manaus”, “A melhor de Belém”. Mas quando chego em “A melhor de Macapá”, não da certo. Aí tentei dividir a melhor por bairro, mas os bairros também coincidem. Então achei muita sacaganem esse negócio de dividir. Meu coração já é dividido, caramba.

Então, caro leitor (mentira, nem tenho leitor...HAHAHA), a parada é a seguinte: hoje a minha mãe ta sendo a minha melhor amiga de todos os tempos, desde 1985. Ontem ela tava um saco e, por um segundo, não quis ser filha dela. Só que hoje acordei cantando, na mente, a música “I Started a Joke” e senti aquela saudade de lagrimar os olhos. Aí, fodeu. Me apaixonei pela minha mãe e hoje quase não desgrudei dela. Recebi elogios, conselhos, nos beijamos, nos abraçamos muito, andamos de mãos dadas.

Amanhã? Amanhã ela vai ta um saco, de novo, e eu vou me agarrar a outra amiga. E não, meu coração não é volátil. Meu sentimento não muda. O que muda é esse rótulo de tal de Melhor Amiga – do dia, que fique bem claro.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Nós queremos dar






Pensei por muito tempo no título perfeito. Pensei em “trepar”, “transar”, “fazer amor” e finalmente em “dar”, porque no final das contas é exatamente isso o que as mulheres querem. Elas não querem trepar, não querem transar, não querem fazer amor (até porque “fazer amor” é coisa de pagodeiro), o que elas querem é dar.

Quando você dá, você está dando a alguém o que você tem de mais valioso: você mesma. É um presente, algo que a pessoa conquistou por merecimento, e que agora é dela e ela pode fazer o que quiser, porque já não te pertence mais. O que as mulheres querem, é justamente isso: Elas não querem mais pertencer a elas mesmas. Elas querem se doar.

Transar é muito bom, trepar é muito bom, gozar por si só é muito bom, mas bom mesmo é dar.
Dar não é só corpo. Dar é cabeça, dar é coração. Se uma mulher te dá, saiba que você foi o escolhido entre as milhares de opções que ela tinha. E acredite, ela realmente tinha milhares de opções.
Talvez você seja merecedor, talvez você não passe de um merda, e no final das contas isso pouca importa. Por alguma razão ela o escolheu, e então, meu caro, cabe a você, e só você, não desperdiçar tal presente.
Você pode encontrar uma multidão de mulheres querendo sexo. Mas dar, não.

Dar é a foda perfeita. Dar são os gemidos genuínos. Dar é o sexo com toda a vontade do mundo. Dar é acordar no dia seguinte e ainda querer aquela pessoa. Dar é querer agradar. Dar é aceitar ser agradada. Dar é se preocupar com o outro. Dar é bom pra caralho.

Depois que uma mulher finalmente descobre o que é dar, ela não se preocupa em esperar para dar novamente. Podem demorar meses, anos para que ela vá pra cama de novo com alguém. O que é sexo depois que se descobre a delícia de dar? As vontades são as mesmas, a necessidade de gozar é a mesma, o tesão é o mesmo, mas não é só isso que elas querem. Elas querem algo muito maior. Elas querem algo que talvez um homem nunca vá compreender. Elas querem se doar. Elas querem se entregar. Elas querem dar!



Por Marina Mello