Eu lembro que quando eu era criança o meu aniversário era o dia mais importante do ano pra mim.Eu esperava ansiosamente para o dia chegar. Tinha um caderninho com 365 bolinhas que eu guardava escondido em uma gaveta, e todos os dias eu ia lá e riscava uma. É, desde criança eu tenho dessas coisas.
Lembro que eu guardava a calcinha favorita pra usar nesse dia. Separava um shortinho preto de estrelinhas brancas que eu adorava só para usar no dia 25 de março. Lembro também que eu escondia do meu irmão mais velho na geladeira um “toddynho” para que ele fosse a minha primeira alimentação com a nova idade que se iniciava. Eu acreditava que tomar “toddynho” me traria sorte na nova fase. Também pedia para a empregada fazer purê de batata com galinha assada de forno pro almoço, só porque era a minha comida favorita.
No “meu dia” eu me sentia uma princesa porque tudo e todos eram voltados pra mim.
(Minha infância foi de bajulação em um tempo de “vacas gordas” na família do meu Pai e eu ganhava os melhores brinquedos e os maiores presentes que uma menininha podia ganhar naquela época. Eu era toda mimada, toda princesinha, a neta paparicada, a sobrinha preferida. Eu era a florzinha da vovó e o anjinho do vovô. Eu era a ‘Pirenta’ do papai, a Beluda da família e a “Bibíti” da mamãe. Eu era a menina delicada, fresquinha, engraçadinha e educada. Fui criada pra ter um futuro maravilhoso, cheio de realizações. Desde pequena os depósitos de confiança de sucesso foram em mim, sempre em mim. Eu tirava as melhores notas da minha turma; era escolhida pra ser monitora de matemática, português e ciências; dei aula de inglês; joguei no time de futebol de salão do colégio; fazia os deveres de casa do meu irmão e fazia os trabalhos dos meus colegas, enfim...eu dava razão para ser mimada.)
Apesar de ser uma boa aluna, no MEU DIA eu fazia questão de faltar na aula. Eu queria assistir Caverna do Dragão com o meu “toddynho” geladinho. Eu queria andar pela casa com cara de besta e ouvir todo mundo me dando os parabéns...
Hoje, depois de uns 14, 13 anos, eu já não brinco mais com os melhores brinquedos. Já nem tomo mais “toddynho” de manhã e nem mais prefiro Galinha Assada de Forno com Purê de batata no dia do meu aniversário. Não guardo mais a calcinha querida e o meu short de estrelinha sabe-se lá para quem minha mãe deu.
Eu talvez não alcancei o futuro que minha família queria que eu atingisse...mas mesmo assim ainda sinto que eles se orgulham de mim. Eles continuam me olhando como a menininha indefesa, a menininha delicada e a menininha de “fé”. Apesar de meu pai não entender porque que eu já uso sutiã e ter chorado quando soube que eu não sou mais virgem, eles acreditam que eu vou ser alguém. Aliás, eles já acham que eu sou alguém.
Eles me olham com um olhar de dever cumprido, de satisfação. E pra mim, sinceramente, não tem coisa mais serena de se sentir do que ver que você conseguiu corresponder às expectativas de quem você ama. E não é por eu já ser formada, estar terminando meu 'Master Business Administration' e o meu inglês. Não é por eu ter conseguido passar num concurso público, estar pagando meu carro com meu próprio suor ou porque eu ajudo as pessoas que precisam. Eles me olham assim porque eu não os decepcionei, porque eu não mudei minha essência mesmo com a separação dos meus pais aos meus 09 anos. Eles confiam em mim no que quer que seja e eu nem sei porquê. Não lembro de ter feito nada demais a eles. Eu só fiz e faço o que eles me ensinaram a fazer e assim vou vivendo.
Hoje a menininha cresceu, já namora, já faz indecência, já até renovou a habilitação pra dirigir. Ela já viaja sozinha, já faz aparecer dinheiro. Ela já conversa sobre política, sobre a vida e até mesmo sobre a própria infância que parece que acabou de acabar. Ela já pensa em ter sua própria menininha (ou menininho), sua casa e seu marido. Ela já pensa em ensinar o que aprendeu para que sua vida não passe em vão. Ela quer um dia olhar pra alguém com os mesmos olhos de orgulho que o avô dela olhou pra ela naquela tarde e com aquele mesmo sorriso que a mãe dela deu pra ela quando soube das boas notícias.
Acho que amanhã, dia 25, ela vai querer almoçar purê de batata com galinha assada de forno de novo só para não perder a fama de dramática que ela sempre teve.
Feliz Aniversário pra mim. ;)
*Feliz aniversário MESMO. Você merece. Assina: EU (Naiane)! ;)
3 comentários:
"Eu quero uma casa no campo onde eu possa ficar do tamanho da paz..."
;)
Eu imagino como deve ser tuuudo isso ai. Imagino, minha amiga.
E amanhã você pegue o seu Toddynho e o tome assistindo o desenho mais antigo que puder.
Nostalgia não é muito bom, mas vale mais que um futuro incerto. É a certeza que temos. O que vivemos.
;)
Sorte, minha amiga. SORTE e Felicidades.
1o: Essa foto tá linda... parece de comercial de shampoo de criança ou de pasta de dente rssr
2o: Claro né Monique que els ( sua família) se orgulham de vc, vai ser competente assim lá na cuchichina.... eu tb estou neste rol rsrsrrs
3o: Adoro "te ouvir", Fala Monica , fala... nos delicie com seus textos limpos, bem escritos, engraçados e comoventes.
4o: PARABÉNS!!!!
5o: No dia do nosso aniversário, poderia ser feriado em tudo p gente, sem trabalho, sem escola, sem ter responsabilidade, só p curtir o nosso dia. Ainda bem q aqui na CEA, eles valorizam isso rsrsrsr
6o: Me avisa qualquer coisa p mais tarde.
7o: Parabéns de novo, um novo ano inicia pra vc agora, aproveite cada segundo, daqui a pouco são 30anos e aí menha mana, vc já tem que começar a pensar por outros ( a família , a sua, seu marido e seus "milhões" de filhos rsrsrsr.
8o: Te adoro
bjosssssssssssss
...Uma mulher, agora grande. Não so na altura, principalmente como pesoao. E digo pessoa no sentido mais poético da palavra (se é que isso existe), de coração imenso e sonhos enormes, mas possíveis. Sim!Tudo é possível! Amo vc por tudo que és. Quero ser igual vc quando crescer. Hahahahaha ;P
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